

Prezado Investidor,
A crise fiscal européia trouxe maior aversão a risco e abalou os mercados ao longo de maio. O importante pacote de ajuda anunciado pelo BCE e pelo FMI provocou uma forte reação dos mercados, mas esta recuperação durou pouco e os preços voltaram a sofrer.
A causa de tamanha desconfiança está no entendimento que a situação da Grécia, em particular, é extremamente delicada. O aumento do custo de financiamento de sua dívida pública (de 300bps há poucos meses atrás para os 700bps atuais) aliado à contração do PIB e à conseqüente queda de arrecadação que uma redução dramática dos gastos do governo acarretaria, sugerem que mesmo após um forte programa de ajuste do déficit público a Grécia estaria com endividamento ainda maior em relação ao PIB no médio prazo.
A desalavancagem do setor imobiliário na Espanha e seus efeitos sobre os balanços dos bancos espanhóis, a rolagem da dívida italiana e a situação fiscal de Portugal, similar à da Grécia, são outros fatores que ameaçam manter os mercados sob pressão.
Por outro lado, o crescimento da economia global ainda nos parece sólido. O mercado ainda aguarda como o governo chinês trará a economia de volta para o equilíbrio e receia algum tipo de hard landing. Apesar de confiantes com a economia chinesa, sabemos que serão necessárias mais algumas semanas para termos maior visibilidade. A economia americana também se mostra estável e junto com a chinesa são forças que agem como contra peso da fraqueza na Europa.
No Brasil, a economia deve crescer 7% no ano e, assim como na China, a crise européia favorece o balanço de riscos para um BC mais cauteloso quanto ao aperto monetário.
Portanto, esperamos um cenário ainda incerto nas próximas semanas e manteremos posições nas nossas carteiras mais adequadas a este tipo de ambiente.
Atenciosamente,